Cozinhando com Felpo Filva


No semestre passado nossos alunos do 3º. ano compartilharam a leitura sobre um coelho poeta, um tanto neurótico, com uma orelha maior que a outra, conhecido por  Felpo Filva, criado pela Eva Furnari.

    Indignado por uma fã discordar de seus poemas, o coelho escritor mergulha no universo da escrita para rastrear esse mistério. 




     E assim também foi nossa aventura!
    Um mergulho na leitura, nas descobertas e possibilidades de escrita que o livro oferece. Até a receita do bolinho do Felpo nós fizemos juntos, e depois saboreamos em uma contação de histórias com outro livro incrível da mesma autora. Delícia!





E por aqui também deixamos esse texto gostoso, escrito pelo Chico dos Bonecos.

Olhos de ouvinte

Certa vez, uma professora revelou o seguinte segredo…
Da minha época de escola? Ah…
A grande lembrança da minha época de escola são os olhos da minha professora quando lia uma história para a turma.
Os seus olhos transitavam das páginas do livro para a turma, da turma para as páginas do livro, num passeio suave, quase um bailado. Do livro para a turma, da turma para o livro, sem que a leitura sofresse qualquer tropeço. Suave bailado: das páginas do livro para a turma, da turma para as páginas do livro.
E eu torcia para que os seus olhos de leitora esbarrassem nos meus olhos de ouvinte – e eles sempre se esbarravam, e até demoravam uns nos outros.
Cheguei a imaginar na minha imaginação de menina, que a história também estava escrita nos nossos olhos. Era como se a história estivesse sendo lida, alternadamente, no livro e nos ouvintes.
Cheguei a imaginar, na minha imaginação de menina, que as páginas do livro eram os ouvintes da história que a professora lia nos nossos olhos. Isso mesmo: o livro era o ouvinte da história que a professora lia na gente. Nós éramos os livros, obras vivas, vivíssimas!
O tempo foi passando, passando…
Aqueles sentimentos provocados pela professora-leitora me ligaram eternamente à palavra escrita, e me fizeram trazer a leitura para esse território íntimo de nossas vidas, onde só circula o que é essencial – como, por exemplo, a amizade.
Chico dos Bonecos