Um banquete de águas


    
E o nosso ano começou...
Transbordando interesses, desafios e reflexões. Seguimos sedentos pelos conhecimentos que nos ajudarão no mergulho neste nosso planeta Terra. Gota a gota!
E para começar nosso ritual dos saberes, um gole de Manoel de Barros



“ Desde o começo do mundo água e chão se amam
e se entram amorosamente
e se fecundam.
Nascem peixes para habitar os rios.
E nascem pássaros para habitar as árvores.
As águas ainda ajudam na formação dos caracóis e das 
suas lesmas.
As águas são a epifania da criação.
Agora eu penso nas águas do Pantanal.
Penso nos rios infantis que ainda procuram declives 
para escorrer.
Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas para 
alegria das garças.
Estes pequenos corixos ainda precisam de formar 
barrancos para se comportarem em seus leitos.
Penso com humildade que fui convidado para o 
banquete dessas águas.
Porque sou de bugre
Porque sou de brejo.
Acho agora que estas águas que bem conhecem a
inocência de seus pássaros e de suas árvores.
Que elas pertencem também de nossas origens.
Louvo portanto esta fonte de todos os seres e de todas 
as plantas.
Vez que todos somos devedores destas águas.
Louvo ainda as vozes dos habitantes deste lugar que 
trazem para nós, na umidez de suas palavras, a boa
inocência de nossas origens.”